As Guerras Romanas

753 a.C. - 476 d.C.

"Roma Invicta." A história da máquina militar mais disciplinada que o mundo já conheceu.

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A Ascensão das Legiões

Roma começou como uma pequena cidade-estado na Itália, cercada por inimigos. Sua sobrevivência inicial dependeu da Legião. Ao contrário da rígida falange grega, que quebrava se perdesse a formação, o sistema de manípulo romano era flexível. Era como uma "falange com articulações", capaz de se adaptar a terrenos acidentados e manobras de flanco.

Uma Legião consistia em cerca de 5.000 soldados de infantaria pesada, apoiados por engenheiros, artilharia e cavalaria. Os legionários eram soldados profissionais, servindo por 25 anos. Eles estavam equipados com o gladius (espada curta), o pilum (dardo pesado) e o scutum (um enorme escudo curvo).

Mas sua maior arma era a pá. Os romanos lutavam tanto com engenharia quanto com aço. Todas as noites, não importava o quão cansados estivessem, construíam um acampamento fortificado. Construíam pontes para atravessar rios e muros para cercar os inimigos. Essa disciplina implacável permitiu que Roma absorvesse derrotas catastróficas e continuasse lutando até vencer.

O Legionário

5.000 Homens por Legião
25 Anos de Serviço

Aníbal aos Portões

A maior ameaça existencial de Roma veio de Cartago, um império marítimo no Norte da África. O conflito abrangeu mais de um século em três Guerras Púnicas. Na Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), o general cartaginês Aníbal Barca realizou o impossível: marchou com um exército, incluindo elefantes de guerra, sobre os nevados Alpes e para a Itália.

Aníbal passou 15 anos na Itália, destruindo exército romano após exército romano. Na Batalha de Canas, ele cercou e massacrou 50.000 romanos em um único dia — possivelmente a maior obra-prima tática da história. Foi um trauma nacional para Roma.

Mas Roma recusou-se a render-se. Sob Cipião Africano, reconstruíram seus exércitos, invadiram a África e finalmente derrotaram Aníbal em Zama. Décadas depois, apenas para enviar uma mensagem, Roma destruiu Cartago completamente, queimando a cidade até o chão.

Aníbal

"Eu sei como obter uma vitória, Aníbal, mas não como usá-la." - Maarbal

  • Vitória: Canas
  • Derrota: Zama

A Conquista da Gália por César

Em 58 a.C., o ambicioso general Júlio César marchou para o norte para conquistar a Gália (a França moderna). Foi uma campanha brutal de 8 anos destinada a aumentar seu poder político em Roma. César moveu-se com uma velocidade aterrorizante, construindo pontes sobre o Reno e invadindo a Grã-Bretanha apenas para mostrar que podia.

O clímax veio no Cerco de Alesia em 52 a.C. César prendeu o rei gaulês Vercingetórix em uma fortaleza no topo de uma colina. Quando um enorme exército de socorro gaulês chegou para atacar César por trás, César ordenou que seus homens construíssem uma segunda muralha ao redor de seu próprio exército. Os romanos lutaram de costas um para o outro, enfrentando tanto a cidade sitiada quanto a força de socorro.

Ele venceu. A vitória trouxe imensa riqueza para Roma e deu a César a lealdade fanática do exército — lealdade que ele usaria para cruzar o Rubicão, desencadear uma guerra civil e acabar com a República Romana.

Veni, Vidi, Vici

"Eu vim, eu vi, eu venci."

  • Cerco: Alesia
  • Rival: Vercingetórix

Morte da República

A expansão de Roma quebrou seu sistema político. Generais poderosos voltaram seus exércitos contra o estado. Primeiro César derrotou Pompeu, pondo fim à República. Após o assassinato de César, seu sobrinho Otaviano derrotou Marco Antônio e Cleópatra em Ácio.

Otaviano tornou-se Augusto, o primeiro Imperador. Isso inaugurou a Pax Romana ("Paz Romana"), uma era de ouro de relativa estabilidade que durou 200 anos. As legiões guardavam as fronteiras, da Muralha de Adriano na Grã-Bretanha aos desertos da Síria.

Mas a paz foi mantida pela espada. Rebeliões foram esmagadas impiedosamente. Em 70 d.C., o futuro imperador Tito esmagou uma revolta judaica e destruiu Jerusalém, saqueando o Templo para financiar o Coliseu.

O Império

No seu auge, Roma controlava 20% da população mundial.

Imperador
200a Pax Romana

As Invasões Bárbaras

No século IV d.C., o Império estava apodrecendo por dentro e sendo atacado por fora. A economia estava em colapso, impulsionada pela hiperinflação e pela peste. Externamente, tribos germânicas — godos, vândalos e francos — estavam sendo empurradas para o território romano pelos aterrorizantes hunos.

Em 378 d.C., na Batalha de Adrianópolis, os godos aniquilaram um exército romano e mataram o imperador Valente. Foi o começo do fim. As legiões, antes compostas por cidadãos disciplinados, agora estavam cheias de mercenários que tinham pouca lealdade a Roma.

Em 410 d.C., o impensável aconteceu: o rei visigodo Alarico saqueou a própria cidade de Roma. A "Cidade Eterna", intocada por 800 anos, foi pilhada. O feitiço da invencibilidade foi quebrado.

Os Saques

Roma foi saqueada por visigodos (410) e vândalos (455), destruindo o mito de Roma.

O Último Imperador

O fim foi silencioso. Em 476 d.C., o senhor da guerra germânico Odoacro marchou para Ravena (a nova capital) e depôs o menino-imperador Rômulo Augusto.

Odoacro nem se preocupou em declarar-se imperador; ele simplesmente enviou as insígnias imperiais para Constantinopla e declarou-se Rei da Itália. O Império Romano do Ocidente havia desaparecido.

No entanto, o Império Romano do Oriente (Bizâncio) sobreviveria por mais 1.000 anos. E no Ocidente, a língua latina, o direito romano e o cristianismo sobreviveriam ao caos para formar a fundação da Europa moderna.

476 d.C.

O sol se põe no Mundo Antigo.

  • Queda: Imp. Ocidental
  • Sobrevivente: Bizâncio